Dados sobre Bom Despacho

Aspectos Históricos e Inserção Regional

A partir de 1770, o Capitão Francisco de Araújo e Sá é mencionado como o primeiro criador de gado, na condição de proprietário da fazenda do Picão, cujas extensões abrangiam as terras situadas às margens direita e esquerda do rio do mesmo nome. Daí em diante, intensificou-se o processo de ocupação, com o surgimento de novas fazendas, estendendo-se até o final do século.

Aproximadamente nessa data, em terras hoje bondespachenses, foi erguida uma capela que, além de atender às necessidades religiosas dos moradores locais, tornou-se centro polarizador, aglutinando pessoas que percorriam (ou residiam) léguas de distância, constituindo-se em importante ponto de sociabilidade, ligação e intercâmbio da população espalhada pelos campos.

Assim, a capela de capim, antes a única construção existente, viu-se, no decorrer dos anos, rodeada de outras construções, como casas, ranchos e vendas, favorecendo a formação do Arraial da Nossa Senhora do Bom Despacho.

Portanto, o município teve sua origem e desenvolvimento em torno da primitiva capela que, segundo consta, seria o mesmo local onde, atualmente, se localiza a matriz da cidade.

No entanto, a singela ermida só obteve reconhecimento oficial em 18 de novembro de 1812, através de Provisão Régia, sendo reunidos na designação oficial o nome da capela e o da paragem, denominada Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho do Picão ou, simplesmente, Capela do Bom Despacho.

Existem controvérsias a respeito do nome do município. Uma vertente o atribui à devoção do fundador da capela, Luiz Ribeiro da Silva, que, como outros portugueses povoadores do oeste mineiro, era procedente da Província do Minho, norte de Portugal, onde era fervoroso o culto a Nossa Senhora do Bom Despacho.

Outra corrente afirma que a denominação surgiu quando da ocasião de uma seca prolongada, ocorrida entre 1767 e 1770, penalizando pessoas, animais e lavouras. Então, os devotos de Nossa Senhora do Bom Despacho fizeram súplicas e orações pedindo chuva. Certos de que suas preces foram ouvidas, pois a chuva não tardou a chegar, ergueram a capela em honra à Santa.

Quase não existem informações sobre a forma de vida da comunidade nos primeiros tempos do lugar. Sabe-se, porém, que, ao contrário do processo de rápido de desenvolvimento nas demais localidades situadas nas adjacências das áreas das jazidas de ouro, o crescimento do arraial deu-se de forma lenta e gradual.

No que tange à organização social, política e religiosa de Bom Despacho, foi no período entre 1801 e 1831, que o arraial começou a desenvolver seu potencial.

A principal atividade econômica permanecia sendo a criação de gado, secundada pela produção de rapadura e aguardente, bem como pelas culturas de arroz, milho, mandioca e algodão.

A população era constituída de fazendeiros, seus agregados e escravos, artesãos, negociantes e tropeiros, todos vinculados à jurisdição civil e eclesiástica da Vila de Pitangui.

No âmbito educacional, praticamente não existia ensino público. Segundo os registros, havia apenas a presença de professores particulares, que ministravam ensinamentos à classe mais abastada. Somente em 1839 Bom Despacho veio a possuir a primeira escola pública, suprimida em 1844, retornando ao pleno funcionamento somente 4 anos depois, através da Lei N. 409, de 14 de outubro de 1848.

Em uma sociedade fortemente religiosa, as irmandades gozavam de relevância e prestígio, pois congregavam antigos moradores e criavam oportunidades de convivência social. Entre elas, destaca-se a Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que exercia intensa influência sobre a comunidade, trabalhando as questões sociais e tentando suprimir o preconceito racial, criando condições para a participação de negros, livres ou escravos, em sua congregação.

Em 1812, o arraial constituído ao redor da Capela de Bom Despacho, através de carta régia, atingiu a condição de instituição civil. Com a aquisição de contornos urbanos, resultante do desenvolvimento do comércio e do setor produtivo local, a comunidade requereu inutilmente, durante anos, a elevação do arraial à categoria de Vila.

O município só foi criado em 1911, com a Lei n. 556, de 30 de agosto, que o desmembrou de Santo Antônio do Monte. A Vila foi efetivamente instalada em 1º de junho de 1912, contando com dois distritos: Bom Despacho e Engenho do Ribeiro.

A aspecto histórico de Bom Despacho é muito interessante, clique aqui e acesse o arquivo completo, juntamente com as informações de inserção regional.

Aqui você encontra os Aspectos Sócio-Econômicos do município.

Aspectos Físico-Geográficos

Localização na estrutura espacial do estado e extensão territorial

O município de Bom Despacho está situado no centro-oeste do Estado de Minas Gerais, pertencendo à Macrorregião de Planejamento VI e à Microrregião de mesmo nome. Do ponto de vista político-administrativo, insere-se na Região Administrativa do Alto São Francisco.

A sede municipal está localizada a 19º 44' 10'' de latitude Sul e 45º 15' 08'' de longitude Oeste, ponto este situado na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho, numa altitude de 634 metros, tomando-se como ponto cotado a antiga estação ferroviária.

Municípios limítrofes

Bom Despacho faz limites com os municípios de Martinho Campos ao norte, Dores do Indaiá e Luz a oeste, Moema, Santo Antônio do Monte e Araújos ao sul e Leandro Ferreira a Leste.

Distância da capital do estado, de outras capitais e/ou cidades-pólo próximas

Partindo da Capital do Estado, a sede urbana de Bom Despacho pode ser acessada pela BR-262, que corta a parte sul do município, distando aproximadamente 4 km da cidade.
As distâncias rodoviárias da sede, em relação aos principais centros nacionais e pólos regionais, são mostradas abaixo:

CENTROS COMERCIAIS
DISTÂNCIA (KM)
PÓLOS REGIONAIS
DISTÂNCIA (KM)
Belo Horizonte
147
Divinópolis
80
Brasília
865
Caratinga
420
Curitiba
1164
Montes Claros
450
Ribeirão Preto
520
Varginha
324
Rio de Janeiro
597
Ipatinga
391
Salvador
1526
Uberlândia
401
São Paulo
654
Juiz de Fora
422
Vitória
678
Unaí
607

Aspectos Geológicos e Geomorfológicos

Do ponto de vista geomorfológico, Bom Despacho está inserido numa área que se apresenta mais baixa em relação às áreas limítrofes, pertencentes à denominada Depressão Sanfranciscana. Tal depressão está situada sobre rochas do Grupo Bambuí, que são conjuntos de rochas formadas por acumulação de sedimentos e que sofreram modificações ao longo do tempo. Os calcários e os siltitos são as rochas mais características desse grupo. Fazendo limite com a Depressão Sanfranciscana, encontram-se os Planaltos do Espinhaço, a leste, e os Planaltos do Oeste.

As cotas altimétricas mais elevadas são encontradas ao sul do município, atingindo 961 metros de altitude no Morro da Chapada, divisa com Moema, enquanto junto aos principais cursos de água (Rio São Francisco, Rio do Picão, Ribeirão Capivari) as cotas situam-se em torno de 600 metros de altitude.

No relevo da área estudada predominam as formas aplainadas, abrangendo as partes central, norte e noroeste do município. Nessas áreas também são observadas, as planícies fluviais dos Rios São Francisco, Picão, dos Machados, Lambari e Ribeirão Capivari, caracterizadas por terraços e várzeas, com ocorrência de áreas de permeabilidade acentuada, sujeitas a inundações periódicas.

A leste de Bom Despacho há ocorrência de colinas que podem ser de três tipos: com vertentes ravinadas, que constituem a segunda forma de relevo mais extensa no município, abrangendo toda a fronteira municipal leste e apresentando sulcos preferenciais (ravinas) para escoamento de água. Nestas colinas ocorre a erosão em lençol, provocada pela água da chuva que desce a vertente, concentrando-se nos ravinamentos e levando consigo a camada superficial do solo. Colinas com vertentes retilíneas, constituem aquelas que não mostram ravinamentos. E colinas com vertentes retilíneas ravinadas são as que apresentam ravinamento menos intenso, porém, também sujeitas a erosão em lençol.
Tais características geomorfológicas conferem a Bom Despacho uma topografia geral pouco acidentada.

No município, encontram-se três grandes unidades geológicas, ou seja, três conjuntos de rochas que possuem propriedades e gênese comuns :

  • Complexo Basal Indiferenciado - constituído de rochas de origem vulcânica datadas do pré-cambriano ( mais de 570 milhões de anos atrás ). Apresenta rochas como gnáisses graníticos e os "bandados", granitóides de composição variada, migmatitos, quartzitos e quartzo-mica-xistos em alguns terrenos específicos;
  • Unidade Quaternário - formada de rochas metassedimentares da Formação Paraopeba, como ardósias, siltitos e calcários. As rochas metassedimentares são formadas pelo metamorfismo (modificação) de outras rochas de origem sedimentar (depósitos de sedimentos) e foram datadas do Pleistoceno-Holoceno (de 1 milhão de anos atrás até nossos dias). Na base desses sedimentos, podem ser encontrados horizontes de seixos e fragmentos de quartzo, quartzitos e arenitos.
  • Unidade Proterozóico Superior (de 1 000 a 570 milhões de anos atrás) - são formadas por estratificações do Supergrupo São Francisco, Grupo Bambuí e Formação Paraopeba com fáceis de transição; ocorrem rochas pelíticas e carbonáticas, com destaque para os siltitos calcíferos, siltitos ardosianos, ardósias, camadas de calcário, argilitos e metaconglomerados.
Clique aqui e acesse o mapa da Geomorfologia do município de Bom Despacho

Clima

O clima regional é do tipo tropical típico. O mês mais quente é fevereiro, com temperatura média de 24,9º C. O mais frio é julho, com temperatura média de 18,8º C, período no qual ocorre a estiagem. A temperatura média anual é 22,5º C.

O índice pluviométrico anual é de 1 448 mm. O período das chuvas estende-se de outubro a março, quando chove cerca de 81,0% do total pluviométrico. Nesse intervalo, o mês de dezembro apresenta a maior média pluviométrica (270 mm). A estiagem coincide com os meses de inverno, sendo o mês de julho o mais seco do ano, atingindo um índice pluviométrico médio de 14,2 mm.

Não obstante a distribuição das chuvas e a capacidade de retenção de umidade dos solos, verificam-se algumas ocorrências de deficiências hídricas periódicas, mesmo nas épocas chuvosas, resultando nos denominados veranicos, freqüentes no município e que representam um risco adicional para algumas culturas anuais.

Hidrografia

A rede hidrográfica bondespachense, tem como principais cursos de água o São Francisco e o Lambari, na fronteira leste, e os rios Capivari, Machados e Picão, entre outros cursos de menor vulto, conforme mostrado no Mapa 2 (Principais cursos de água do município de Bom Despacho).

De modo geral, o município é bem servido de recursos hídricos. No entanto, deve-se observar que o aproveitamento dos mesmos deve ser objeto de detido planejamento, buscando sua utilização racional, evitando sua deterioração e falta de água no futuro.

Clique aqui e acesse o mapa dos Principais cursos de água do município de Bom Despacho

Solos e seu potencial

Segundo estudos realizados pelo BDMG para Bom Despacho, que tiveram como base o “Diagnóstico Ambiental do Estado de Minas Gerais” e os "Estudos integrados de recursos naturais: Bacia do Alto São Francisco e parte central da área mineira da SUDENE", elaborados pelo CETEC-MG em 1983, predominam em Bom Despacho quatro tipos básicos de solos:

  • Latossolo Vermelho-Escuro Distrófico A Moderado - com textura argilosa, recoberto por vegetação de cerrado e relevo suave ondulado, ocupando a maior parte do município;
  • Cambissolo Distrófico A Moderado + Podzólico Vermelho-Amarelo Distrófico A Moderado - ambos recobertos por vegetação de cerrado, sendo que o segundo apresenta cobertura mais densa, ambos com textura argilosa e relevo ondulado. Predominam na porção leste;
  • Cambissolo Álico A Moderado + Litólico A Fraco + Podzólico Vermelho-Amarelo Álico A Moderado - solos com altos teores de Alumínio trocável, textura argilosa, recobertos por vegetação de cerrado e relevo ondulado. Ocorrem em manchas dispersas no centro-noroeste;
  • Solos Aluviais Eutróficos A Moderado + Solos Hidromórficos Indiscriminados - os primeiros recobertos por matas galerias e os segundos, por campos de várzeas, com relevos planos; ambos localizam-se às margens dos cursos de água, como os rios São Francisco, Picão e ribeirão dos Machados.

A ocorrência desses solos está mostrada no Mapa 3 (Solos do município de Bom Despacho), que deve ser examinado em consonância com o Quadro 2, onde cada tipo de solo encontra-se associado às suas características principais e a algumas de suas aptidões.

Clique aqui e acesse o mapa representativo dos Solos do município de Bom Despacho. Já para acessar o quadro demonstrativo dos Tipos de solos e respectivas características Clique aqui.

Cobertura vegetal

As informações mais recentes sobre a cobertura vegetal de Bom Despacho datam de 1997 e foram fornecidas pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. Encontram-se discriminadas abaixo:

Cobertura vegetal (%)
Bom Despacho - 1997
CENTROS COMERCIAIS
PERCENTAGEM (%)
Agricultura
8,50
Campo cerrado
11,00
Campo natural
0,90
Capoeira
0,50
Cerrado
1,90
Mata
0,04
Mata ciliar
3,90
Mata de encosta
0,03
Mata Seca
0,03
Pastagem
53,40
Reflorestamento
18,20
Várzea
1,60
TOTAL
100,00

Excluindo-se dessa tabela as áreas reflorestadas com eucalipto, as pastagens e as áreas onde se desenvolve a agricultura, as formações vegetais de ocorrência no município podem ser caracterizadas da seguinte maneira:

  • Cerrado - vegetação típica de solos pobres em nutrientes e, apesar de apresentar deficiência hídrica (aspecto xeromórfico), como ocorre na caatinga, sua ocorrência não encontra relação com ausência de água (áreas de seca). Tem como principais espécimes, encontrados na região, Peroba-do-campo, Araticum, Pequi, Murici, Imbiruçu, Unha-de-Vaca, Caviúna-do-Campo e Araçá;
  • Campo cerrado - tipo de vegetação relativamente freqüente no município. Diferencia-se do cerrado, ao qual está normalmente associado, por apresentar espécies vegetais de menor porte e menor biodiversidade. Tal diferenciação também se dá em nível de solo, que no campo cerrado é ainda mais deficiente em nutrientes que no cerrado. A ocorrência dessa vegetação, muitas vezes, pode ser conseqüência da degradação do cerrado, seja por causas naturais (queimada natural) ou pela ação antrópica (manejo agrícola inadequado) ;
  • Capoeira - tipo de ocorrência vegetal, geralmente associada a uma floresta pré-existente, que foi cortada ou queimada, portanto, também características de origem antrópica. Suas espécies mais freqüentes são Garapa, Vinhático, Faveiro e Canela-rosa;
  • Campo - com predominância de uma vegetação rasteira, principalmente de gramíneas. A ocorrência de espécies de maior porte pode ser observada em alguns lugares, mas de forma bem individualizada. Em geral, tanto os campos naturais como os de origem antrópica são utilizados como pastagens, na pecuária extensiva;
  • Matas ciliares ou de galeria - vegetação que habita as margens dos rios e lagos. São extremamente significativas na preservação dos cursos de água e dos mananciais hídricos. A exuberância dessa vegetação se deve à abundância de água, propiciada por sua localização.

Aspectos Ambientais

Problemas e perspectivas ambientais do cerrado

Conforme antes relatado, a ocupação da região do cerrado firma-se a partir da década de 1970. Primeiro, através da atividade agropastoril, depois à procura da produção do carvão vegetal para suprir a indústria siderúrgica, o que consumiu grandes extensões da vegetação nativa, cedendo lugar aos maciços verdes de eucalipto. Posteriormente, fatores como a disponibilidade de novas tecnologias para cultivo dos solos ácidos dos cerrados, o preço relativamente barato das terras, sua boa aptidão física e topográfica e um clima monçônico, com satisfatórias condições de luminosidade e pluviosidade, fizeram com que a área agricultável aumentasse em grandes proporções.

Todas essas atividades e formas de ocupação geraram diversos efeitos negativos sobre o bioma do cerrado, onde está inserido o município de Bom Despacho.

Obviamente, a descrição dos referidos impactos não significa sustentar a idéia da suspensão das atividades econômicas locais e regionais. Realça a necessidade de adoção de técnicas e práticas apropriadas de preservação, conservação e exploração de cerrado e seus recursos naturais. Justamente para continuar sua viabilidade econômica.

Entre elas incluem, por exemplo, a correção e tratamento adequado dos solos; a preservação dos mananciais, das matas ciliares, de topo de morros e das veredas; a utilização criteriosa de agrotóxicos e da irrigação com critérios técnicos. A seguir, são escritos os efeitos negativos observados nos cerrados, segundo o tipo de atividades:

  • Expansão agropecuária: a literatura especializada relata impactos importantes causados pela atividade. O primeiro é o empobrecimento genético. Os cerrados eram terras virgens, onde a pecuária era praticada de forma extensiva, produzindo como efeito mais grave as queimadas. No entanto, a queimada de áreas de cerrado fazem parte de suas condições naturais. A vegetação, além de resistir bem, a aceita para permitir a disseminação de algumas de suas espécies, adaptando-se para sobreviver e reproduzir-se após a queima. A pecuária extensiva, nessas condições, não acarreta grandes danos, porque não há sobrepastejo nem pisoteio excessivo, que poderiam provocar compactação e aparecimento de erosão nos solos.

    Os efeitos mais graves aparecem quando acontece a instalação de grandes áreas de pastagens monoculturadas, grandes consumidoras de insumos, como fertilizantes, herbicidas e pesticidas, com intensa utilização de máquinas pesadas. A conseqüência imediata é o empobrecimento dos ecossistemas em espécies nativas e a possibilidade de aparecimento de pragas, além da propagação de ervas daninhas.

    O efeito mais evidente é o aumento das taxas de erosão, devido à perda da camada protetora da vegetação, nas operações de preparo do solo para cultivo. Mais recentemente, tem sido estudado o aparecimento da compactação dos horizontes superficiais do solo, produto do uso intenso de máquinas agrícolas. Tal efeito impede a penetração de água e de raízes. Nas áreas com maior presença de argila, o fenômeno tem se manifestado de modo mais rápido.

    Outro efeito diz respeito à contaminação química da água e da biota (conjunto de seres animais e vegetais de uma região), provocada pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. Ademais, como o ambiente vem sendo intensamente alterado, podem proliferar doenças antes não conhecidas, devido à eliminação dos controles biológicos de certos insetos e doenças. Outro fator pouco conhecido relaciona-se ao uso de altas concentrações de calcário e fertilizantes. Provavelmente, as condições químicas do solo melhoram com o tempo, mas não se conhecem ainda os efeitos de longo prazo, nem como serão afetados os lençóis freáticos e, por conseguinte, as águas de superfície.

    Por fim, devem ser mencionados os efeitos da irrigação, distinguida em dois tipos: a das terras altas, comumente feita por aspersão, e a das várzeas, por gravidade, após drenagem e nivelamento das terras. Da primeira pode derivar o esgotamento dos recursos hídricos, pelo uso indiscriminado das fontes e porque ela é menos eficiente, perdendo-se muita água por evaporação.

    Nas várzeas, o maior impacto está na destruição dos ecossistemas ribeirinhos e dos vales utilizados, como no caso das veredas e planícies aluviais. O papel protetor dos buritizais e das florestas de galeria, ao ser eliminado, provoca a desintegração da própria várzea;
  • Exploração de carvão (proveniente de mata nativa e de reflorestamentos): podem se fazer sentir nos níveis físico, biótico e antrópico. Verificam-se drásticas mudanças na paisagem regional, com enormes áreas contínuas e uniformes de eucalipto, gerando maior suscetibilidade do ecossistema florestal à ocorrência de pragas. Dada essa tendência, intensifica-se o uso de agrotóxicos, com os efeitos já conhecidos. O uso de caminhões transportadores de carvão contribui para a compactação do solo, gerando efeitos erosivos, enquanto a utilização do fogo para limpeza das florestas compromete a biodiversidade.

    De acordo com entrevistas realizadas, a CAF, que possui vastas extensões de reflorestamento (no município e região), opera rigorosamente segundo a legislação ambiental vigente. Mantém 20,0% da sua área na condição de reservas florestais e um centro de educação ambiental, que desenvolve atividades dentro da empresa, bem como junto à comunidade local;
  • Impactos da urbanização: os problemas pertinentes a Bom Despacho não diferem muito dos observados em outras cidades semelhantes. Ainda que o município apresente um grau de cobertura do serviço de esgotamento sanitário maior que a média, o esgoto captado na sede não recebe qualquer tipo de tratamento, e era lançado in natura nos cursos de água, como o ribeirão dos Machados até 1998.

    O referido curso de água tem sua nascente no Bairro Tabatinga, indo desaguar no São Francisco, na divisa com o município de Moema. No seu percurso, atravessa área urbana e rural, recebendo várias denominações em diferentes pontos, como Córrego do Lajão, Matadouro, das Palmeiras e dos Ferreiras.

    Além dos dejetos do esgoto, o ribeirão também recebe resíduos provindos do lixão, conforme já mencionado, constituindo-se este num sério problema ambiental urbano. Sua proximidade da cidade e seu manejo inadequado têm resultado na poluição do citado ribeirão e da atmosfera local, uma vez que o único tratamento que recebe é a queima.

    Soma-se a tais dificuldades o baixo grau de cobertura do serviço de drenagem disponível, acarretando problemas para a população, sobretudo no período das águas.

    Em Bom Despacho não há poluição industrial significativa, pois não existem fábricas de porte; porém, tampouco há fiscalização e é conhecido que os postos de gasolina devem adotar técnicas apropriadas para evitar vazamento nos tanques e para o adequado tratamento de resíduos

    Atuam na área da defesa e preservação ambiental local a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e o Instituto Estadual de Florestas – IEF.

    A Secretaria Municipal de Meio Ambiente tem agido precariamente, em virtude do número reduzido de funcionários que possui e pela carência de infra-estrutura. Ademais, não existe legislação ambiental específica e o CODEMA encontra-se praticamente desativado, configurando-se uma situação institucional frágil, em termos ambientais.

    Os principais projetos estabelecidos para o setor são:

    • recuperação do ribeirão dos Machados;
    • recuperação dos rios Lambari e Picão bem como do ribeirão Capivari e Rio Picão, projeto inserido num âmbito mais geral, da gestão da Bacia do Alto São Francisco;
    • Programa IPTU Ecológico, proporcionando descontos no IPTU dos imóveis cujos proprietários façam calçamento e muro. O programa já está operação, com cerca de 1 000 adesões. Mediante a conclusão das referidas obras, existe uma tabela de descontos de R$ 3,50 por m2 de muro e R$ 8,26 por m2 de passeio;
    • Projeto “Rua que te quero verde”, com o objetivo de arborizar as principais vias da cidade;
    • Implantação de um parque ecológico, envolvendo área florestal situada na sede do município e sob administração do 7º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais

Infra-Estrutura

Educação

Este Plano que ora se apresenta resulta de uma caminhada histórica feita de lutas, de dificuldades, de limitações, de descontinuidades e de vitórias.
A história da educação pública de Bom Despacho começa com sua emancipação, em 1912, com a criação da Escola Coronel Praxedes. Nosso primeiro estabelecimento de ensino público na área educacional recebeu o nome de “Grupo Escolar de Bom Despacho”. Só mais tarde, na década de 40, passou a chamar-se E.E.“Coronel Praxedes”, em homenagem a um ilustre Comandante do 7º Batalhão.
Em 1947, foi criada, pelo decreto-lei nº 2647, a Escola Elementar de Agricultura, com a finalidade de administrar as primeiras noções sobre a agricultura.
No Governo do prefeito Antônio Leite, em 1959, ocorreu grande melhoria das condições do ensino rural, com a construção de quinze novas unidades escolares nos povoados do município....

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Transporte, Comunicação, Energia e demais áreas

Estes e os demais aspectos da nossa cidade são apresentados no arquivo em anexo a seguir. Efetue o download e veja as informaões.

Clique aqui e acesse o arquivo completo com os dados referentes aos demais aspectos de Infra-Estrutura.